Elizio Santos

Devarim, devarim...

Meu Diário
15/08/2017 18h00
Meu diário.

     Eu resolvi escrever sobre mim mesmo. É este o propósito de um diário não é? Mas já deparei-me com o primeiro problema... De onde eu devo começar este diário? Devo começar de hoje, narrando aquilo que de uma maneira ou de outra toca-me ou, devo começar, como se diz popularmente, do começo. Eu ainda não sei. Não sei mesmo. 

     Na verdade eu até tenho uma preferencia a começar meu diário fazendo uma retrospectiva de minha vida inteira, ao menos desde o tempo em que eu consigo regredir em memórias firmes, quando eu tinha 4 anos, em 1973. Não seria uma tarefa fácil colocar no "papel digital" tantas informações de forma direta e sem fugir a uma característica muito particular minha, o detalhismo... Realmente tenho que avaliar direitinho sabem?

     Mas uma coisa eu posso dizer, minha vida até agora, prestes a completar 48 anos, tem muita coisa a ser dita e muitas outras que eu não sei se deveria dizer... Mas, se eu decidir que devo contar realmente tudo, duas coisas são certas, ou melhor, três: Não arrependo-me de nada, Não sinto-me culpado de nada, mas certamente algumas revelações podem mudar os rumos de muitas vidas, quiçá, no momento adequado, de governos.

     Pois é... Muita gente pode tremer na base se eu realmente levar esta estória de diário muito a sério! Não importo-me, neste momento de minha vida tudo que eu desejo é passar a vida a limpo e deixar, caso a morte chame-me repentinamente, o máximo de informações a meus familiares sobre uma parte de mim que, somente conatada por mim mesmo poderá, para aqueles que nunca conheceram-me pessoalmente, dar uma idéia muito próxima da realidade de quem eu fui e do que eu vivi.

     Eu sou policial. Policial Civil, tenho orgulho do que eu sou, um investigador nato, feito pela natureza.

      


Publicado por Gustavo Miranda em 15/08/2017 às 18h00
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